Quem gosta de uma boa cachaça terá nesta sexta e sábado, dias 11 e 12 de maio, a oportunidade de degustar uma cachaça muito bacana em um evento no Mercado Municipal de São Paulo.
A cachaça Cambraia vai estar em um espaço com sua três versões disponíveis para degustação, são as cachaças envelhecidas por 1, 3 e 5 anos em toneis de Carvalho.
Vale a visita!
Serviço
Degustação da Cachaça Cambraia no Mercadão
11 de Maio, sexta-feira e 12 de Maio, sábado
Mercado Municipal de São Paulo, Rua da Cantareira 306, Centro
Mais informações sobre a Cachaça Cambraia em cachacacambraia.com.br.
Talvez não seja a primeira vez que vocês verão algo sobre a combinação de cachaça e foie gras. Eu mesmo já falei sobre isso. Em um outro contexto, com outra abordagem, mas falei. Só para me repetir um pouco, para quem achou a combinação estranha ou incompatível, sua textura untuosa e sabor amanteigado, combinam perfeitamente com a cachaça, em especial com aquelas envelhecidas em toneis de carvalho – a exemplo do armagnac utilizado em algumas receitas.
Neste caso o que me chamou a atenção, foi uma noticia que sai no caderno Paladar no Estadão de hoje: a lei que proibe a produção e o consumo de foie gras na California (EUA) entra em vigor em julho próximo, e os produtores e chefs estão protestando. Claro, o figado do pato (ou ganso) engordado a força sempre foi e continua sendo uma das maiores iguarias da gastronomia francesa, por isso sua proibição seria uma consideravel baixa nos cardapios das casas sofisticadas do estado da costa oeste norte-americana.
Mas o que me surpreende não é a proibição ou não. Não vou entrar no mérito do sofrimento dos pobres bichinhos ou se isso é certo ou errado. O que me deixa pasmo é a inércia dos envolvidos, daqueles que são diretamente afetados pelo banimento da técnica do “gavage” (técnica onde a ave tem um tubo inserido em sua boca e recebe uma super-alimentação para que engorde muito e rapidamente). A lei foi aprovada em 2004 e teve uma moratória de 7 anos e meio, tempo que seria suficiente para que se desenvolvesse uma técnica ou método alternativo de engorda sem que haja sofrimento físico ou psicológico (é verdade!) dos pobres animais. Por que só agora o compromisso de criar os animais seguindo uma nova técnica?
Não é possível que ninguém nunca tenha tentado ou sequer pensado nisso antes.
Todos os meios de comunicação e vários produtores estão comemorando a noticia do reconhecimento da cachaça nos Estados Unidos. Ontem foi assinado o pacto para o reconhecimento mutuo de bebidas destiladas típicas entre o Brasil e os Estados Unidos. A troca de cartas foi feita entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk. Pelo acordo, o Brasil vai reconhecer como legitimamente americanos os uísques do tipo Bourbon (feito à base de milho) e Tennessee (produzido no Estado norte-americano do Tennessee), e o Estados Unidos vão reconhecer a Cachaça como bebida típica e exclusivamente brasileira.
O reconhecimento permitirá aos produtores brasileiros comercializarem sua aguardente de cana nos Estados Unidos apenas com o nome de cachaça. Pela Lei Agrícola norte-americanas do ano 2000, a classificação tributária leva em conta a matéria-prima, e o rótulo das garrafas da bebida brasileira devem conter a expressão “Brazilian Rum” (rum brasileiro), sem permitir a diferenciação com rum, que também é fabricado a partir da cana.
Devemos sim comemorar.
Porém muitos produtores e o mercado de uma maneira geral estão míopes ao achar que este reconhecimento será a “salvação da lavoura”. Haverá sim um grande incremento no volume exportado para a América do Norte, porém, não por que agora temos o nome cachaça estampado no rótulo, mas sim pela queda de barreira fiscais que nossa cachaça sofria em função de ser classificada como rum. O governo norte-americano sobretaxa o rum que é produzido em outros países fora dos EUA para proteger as marcas produzidas em Porto Rico, um dos principais produtores da bebida e território americano.
O trabalho agora deve ser direcionado para a construção de uma imagem de produto de qualidade, e não em aumento de volumes de exportação. Se o produto não for visto como uma bebida de qualidade, qualquer incremento nos volumes comercializados será pouco duradouro. Devemo agora é construir o mercado e trabalhas a cachaça em toda a sua totalidade.
Foram 12 anos de luta, é justa a alegria! Viva a cachaça! Viva o produto genuinamente Brasileiro!
Na próxima semana a presidente Dilma fará uma visita ao seu colega Barack Obama. Não, a cachaça não estará na pauta de discussões, porém segundo uma matéria publicada nesta segunda-feira no Financial Times, coloca o reconhecimento da cachaça com um dos gestos de boa vizinhança que pode ser tomado pelo presidente norte-americano.
Seria o fim das barreiras fiscais impostas ao rum – a cachaça é classificada pelos EUA como “Braziliam Rum” – para protege a bebida produzida nas Ilhas Virgens Americanas e em Porto Rico.
A matéria completa você lê no link abaixo. Cheers.
Este vídeo foi feito pelo vídeo-repórter Rodrigo Leitão durante a elaboração do blend da Cachaça da Tulha – Edição Única 2011. Os responsáveis pelo blend deste ano foram o sommelier de cachaças Leandro Batista, a barista Isabela Raposeiras e os chefs Rodrigo Oliveira e Helena Rizzo.
Saiu a nova edição da revista diVino Sabores onde estou com uma coluna sobre cachaças a cada edição – O Cachacier.
Desta vez falo sobre as garrafas, a relação de custo x benefício e qualidade da bebida x qualidade da garrafa, além disso tem mais algumas coisa.
Segue a coluna para quem desejar ler, mas sinceramente, recomendo que você corra até a banca mais próxima e compre a revista pois temos colunas sensacionais como a do Edu Passarelli falando sobre cervejas e matérias como a Confraria diVino, desta vez em torno das pimentas.
Estive visitando com meus colegas Leandro Batista – sommelier de cachaças do restaurante e cachaçaria Mocotó, Felipe Januzzi – do site Mapa da Cachaça, e Illan Oliveira – da distribuidora Solution, alguns dos alambiques associados à APRODECANA, Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar e seus Derivados do Estado do Rio Grande do Sul, mais conhecidos sob a “marca” de Alambiques Gaúchos.
Há muito que cito o trabalho realizado pelos alambiques gaúchos como um modelo que deveria ser seguido por associações de produtores em outros estados. Em conjunto com o SEBRAE local e o apoio do governo do estado e de várias prefeituras municipais, a associação consegui estabelecer um elevado padrão de qualidade para as cachaças produzidas por seus associados.
A comitiva em frente a cachaçaria Weber Haus em Ivoti – RS
Desde o mais simples, até o mais tecnológico dos alambiques do sul, buscam a qualidade da bebida como diferencial competitivo em um mercado altamente pulverizado, onde conseguir algum destaque para a sua marca é quase uma tarefa heróica. Pois eles estão conseguindo e, digo mais uma vez: através da qualidade exemplar de seus produtos.
Outro ponto que merece destaque é o apoio e intercâmbio que existe entre os produtores. Muito mais que simples concorrentes, eles enxergam no outro um parceiro de negócios que buscam um objetivo comum, que é o crescimento do mercado como um todo, e um crescimento da participação das cachaças do RS nesse mercado. Objetivo que favorece a todos, ficando a cargo da preferência do consumidor escolher entre esta ou aquela marca. Porém, nem tudo é um mar de rosas, existem divergências e discussões, mas sempre pautadas pelo objetivo comum. Atitude louvável que só engrandece o produto gaúcho.
Fique ligado nas próximas semanas, pois vou falar mais sobre a visita que fizemos a cinco destes alambiques: Bento Albino, Casa Bucco, Weber Haus, Velho Alambique e Flor do Vale.
Ontem foi a entrega do Prêmio Paladar 2011 e a cachaça foi eleita o produto do ano. O Estadão publicou hoje uma revista especial com toda a história (literalmente) do Prêmio.
Voltemos à cachaça. Como o texto diz: “o momento não poderia ser melhor para cachaça em todo país”, isso realmente é verdade, principalmente com a aproximação dos dois eventos internacionais – Copa do Mundo e Jogos Olímpicos – que o país sediará em 2012 e 2016, a cachaça estará no centro das atenções.
Porém o que eu gostaria de destacar, é o motivo exposto pelo Paladar para a premiação de nossa branquinha: o reconhecimento de que os produtores estão se profissionalizando, investindo em seu negócio, aprimorando técnicas de produção e instalações e buscando diferenciais e sofisticação para a cachaça. Isso resulta em cachaças mais complexas, de características sensoriais superiores que pode fazer frente a qualquer bebida produzida no mundo. Talvez um marco para a produção de cachaça de qualidade no Brasil. Conseguimos chegar até aqui, o que não é pouco, mas ainda temos outros desafios pela frente. É muito bom ter o reconhecimento de profissionais, chefs e gastrônomos e fico muito orgulhoso pela nossa branquinha.
Quando você for ler a edição e analisar os vencedores observe como a cachaça está muito bem “encaixada” no contexto gastronômicos dos pratos vencedores, por exemplo: vai muito bem acompanhando o Picadinho do Na Cozinha. Combina com os sabores picantes e o aïoli das Maravellas Bravas do Arola Vintetres. Casa perfeitamente com os pratos da categoria Offal e principalmente vai muito bem com carne de porco, seja a Copa lombo, a Porchetta ou a Barriga. Ela está presente até na sobremesa! Quer mais?
O Prêmio Paladar é realmente uma celebração da boa comida. Portanto, celebre com cachaça!
Esqueci de comentar o detalhe de que todos os premiados – inclusive a cachaça – recebem simbolizando o tradicional troféu, o prato da imagem que abre este post. Criada exclusivamente para o prêmio, a imagem deste ano é de autoria do artista plástico Guilherme Kramer e foi batizada de Fantasia dos Sentidos.
Parabéns à cachaça, parabéns a todos os produtores que ralam todos os dias para nos presentear com cachaças cada vez melhores e parabéns ao Estadão e ao Paladar pela iniciativa que ano após ano colabora para consolidar a fantástica gastronomia brasileira.
Foi na semana passada que foi reunida uma “turma da pesada” para a elaboração do blend da Cachaça da Tulha Única 2011: o sommelier de cachaças Leandro Batista, a barista Isabela Raposeiras e os chefs Rodrigo Oliveira e Helena Rizzo. Um grupo heterogêneo para uma tarefa singular, uma vez que a prática de blends não é muito comum no mercado de cachaças. O lugar não poderia ser mais apropriado, o Engenho Mocotó.
Apesar das diferenças o entrosamento do grupo foi quase imediato, e nós, que estávamos só assistindo – e provando – podíamos sentir isso a cada amostra que saia da bancada do alquimista Erwin Weimmann, que como um cientista maluco preparava as receitas propostas pelo grupo utilizando cachaças envelhecidas em bálsamo, carvalho americano, carvalho europeu, jequitibá e amburana por diferentes períodos, de 1 a 6 anos.
O blend final, o eleito, foi elaborado pela combinação de amburana, carvalho europeu e bálsamo. Confesso que tive dúvidas dessa combinação quando a vi no papel, pois são três madeiras de bastante personalidade e características distintas, porém quando provei a amostra, concordei com a maioria dos presentes, pois a cachaças se mostrou equilibrada, harmônica e manteve a personalidade de cada uma das madeiras. Final feliz.
Para ver a cobertura completa do Paladar, que mais uma vez abriu espaço em suas páginas para falar de cachaça, clique aqui.
Caros, hoje comemora-se – extra-oficialmente - o Dia Nacional da Cachaça. Digo extra-oficialmente pois desde 2009 o Projeto de Lei nº PL 5428_2009 está em tramitação no Congresso e não foi seque enviado ao plenário. Já foi arquivado por decurso de prazo e solicitado o desarquivamento em março deste ano, aguarda deliberação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
Mesmo assim, devemos comemorar a data que valoriza “a mais brasileira das bebidas”, como se diz por ai. Um viva à cachaça, um viva aos produtores que dia após dia enfrentam a batalha de colocar no mercado um produto de alta qualidade, e um viva a nós, consumidores e apreciadores que não desistimos e continuamos valorizando e apoiando nossa branquinha.
A cachaça é considerada símbolo da identidade do povo brasileiro. A justificativa para a escolha do dia 13 de setembro pode ser achada na história do país. Em 1660, uma rebelião de produtores conhecida como a Revolta da Cachaça foi determinante para que a Coroa Portuguesa legalizasse a produção e comercialização da bebida então proibida por fazer forte concorrência com a bagaceira portuguesa. A liberação acontece justamente em 13 de setembro de 1661.
Mauricio Maia, O Cachacier , é publicitário, chef de cozinha e especialista em cachaças há mais de 20 anos. Viaja, pesquisa, experimenta e publica aqui todos seus achados.