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Arquivos em set/2008

Mais Cachaça Na Mídia

terça-feira, 30/09/2008

Muitos já devem ter visto, alguns ainda não. Hoje saiu uma matéria no jornal Gazeta Mercantil que versa sobre a produção artesanal de cachaça. Fui um dos entrevistados juntamente com o Guto Quintella, da Cachaça da Tulha. Com direito a uma foto bem grande que foi tirada no balcão do Bar Birô, na Rua Vergueiro em São Paulo – muito obrigado ao Arnaldo e à Fátima que me receberam para a foto.

Faço somente uma observação: na foto da cachaça Havana, quem aparece é Roberto Santiago, neto de Anísio e autor do livro “O Mito da Cachaça Anísio Santiago”, e não o Sr. Oswaldo, atual responsável pela produção da Havana / Anísio Santiago. Vocês podem ler o blog do Roberto no link ao lado. Vale a pena.

A matéria ficou muito boa e exemplifica bem a sofisticação que a cachaça vem desenvolvendo nos últimos anos e a preocupação e cuidado que os produtores estão dedicando aos seus produtos, sejam eles para o mercado nacional ou para exportação.

Clique na imagem acima para ver a matéria na íntegra, ou neste link para versão só texto.

Reconhecimento Internacional: Cachaça X Rum

quinta-feira, 25/09/2008

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos produtores para entrar no mercado Norte Americano é a classificação de nossa cachaça como “Brazilian Rum”, classificação que deve constar no rótulo da bebida, descaracterizando assim nosso produto.

A briga para que a cachaça seja reconhecida internacionalmente como produto genuinamente brasileiro não é nova, no Brasil, a Cachaça é protegida por Decretos e Instruções Normativas, mas um projeto de lei (PL 1.187/2007), pode dar força ao processo de reconhecimento internacional e trazer um resgate histórico, cultural e econômico para o agronegócio brasileiro. Além deste projeto de lei o IBRAC e o SEBRAE firmaram um convênio para que a cachaça seja reconhecida como “Cachaça” e não “Brazilian Rum” nos EUA.

Para entender o tamanho do problema é primeiro preciso saber qual a diferença entre o Rum e a Cachaça: o rum é feito a partir do melaço e pode ser produzido durante todo o ano. Já a cachaça é destilada do mosto fermentado da cana, obedecendo a safra agrícola. Além dessa diferença, características peculiares de cada produto são evidentes mesmo para quem não é um especialista no assunto.

Porém as leis norte americanas não fazem esta diferenciação, a legislação norte americana classifica as bebidas alcoólicas com base na matéria-prima. Como a descrição do rum, na legislação americana é muito ampla, e tanto a Cachaça com o Rum são bebidas provenientes 100% da cana-de-açúcar.

Esse longo processo tem sido assunto constante na pauta das reuniões do Instituto Brasileiro da Cachaça IBRAC, da Associação Brasileira de Bebidas (ABRABE), Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cachaça e demais entidades de classes e fóruns de discussão que buscam a solução desse entrave.

A Lei que está em discussão no Congresso é de autoria do deputado Valdir Colatto e regulamenta a produção e estabelece normas para comercialização da bebida.

Espero que essas questões sejam rapidamente resolvidas para que nossa cachaça possa, enfim, conquistar o mundo!

Fonte: IBRAC – Instituto Brasileiro da Cachaça

Até pesquisadores e especialistas se confundem…

quarta-feira, 24/09/2008

Hoje estava lendo um artigo publicado no site da USP que falava sobre o concurso para escolher a “melhor cachaça do Brasil” que vai ocorrer durante o VII Brazilian Meeting on Chemistry of Food and Beverages (BMCFB), em Lorena/SP, que comentei aqui há algumas semanas [VEJA AQUI].

Porém o que me chamou a atenção foi a história da criação do Laboratório para o Desenvolvimento da Química da Aguardente (LDQA), fruto da necessidade analisar quimicamente destilado nacional através dos mesmos testes e nos mesmos padrões que são analisadas outras bebidas como o uísque, o rum e o vinho.

É neste pedaço que o professor Douglas Wagner Franco, do IQSC, idealizador do concurso, faz uma pequena confusão. Ele menciona que “a bebida feita do melaço, a cachaça, é diferente daquela feita do caldo de cana, a aguardente”, quando na verdade não é nenhuma das duas coisas. A bebida produzida do melaço é o Rum, tanto a cachaça quanto a aguardente de cana são produzidas pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar, porém com algumas diferenças, pois a aguardente de cana pode também ser obtida do destilado alcoólico simples da cana-de-açúcar, ou seja, álcool com graduação superior a 54% vol e inferior a 70% vol a 20ºC. Enquanto a cachaça deve possuir “características sensoriais peculiares”. [vide a instrução normativa nº 13 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que aprova o anexo do do Decreto nº 2.314, de 4 de setembro de 1997, onde consta Regulamento Técnico para a Fixação dos Padrões de Indentidade e Qualidade para Aguardente de Cana e para Cachaça].

Existe uma “cachaça” (pela lei não poderia ser chamada assim) que era feita do melado, um pouco diferente do melaço, que é a Armazém Vieira, da qual pretendo falar aqui e já indiquei em minha coluna no Programa Noite Noir. Quem for à Florianópolis/SC não pode deixar de conhecer. Eu fui.

Textos publicados – retrospectiva

segunda-feira, 22/09/2008

Há algum tempo tenho publicado alguns textos por aí. Sempre com algum tema que aborda a cachaça de um ponto de vista difereciado, seja através da cultura popular, da geografia ou da música, são textos gostosos de ler e com algumas informações interessantes (modéstia à parte). Vou começar pelo primeiro texto que publiquei no site Charutos & Bebidas, que fala da cachaça produzida no Nordeste do Brasil.

Alguns textos, inclusive, foram escritos à quatro mãos com meu amigo Celso Nogueira.

“A Cachaça Nordestina Cristalina”

A Qualidade da Cana – Curso

quarta-feira, 17/09/2008

Costumo dizer que a busca pela qualidade é primordial para a produção de uma boa cachaça. Os cuidados em todas as etapas de produção são os principais responsáveis por um resultado superior. Qualquer descuido em qualquer das etapas de produção por comprometer completamente o produto final. 

Por isso é essencial a reciclagem, a pesquisa e o treinamento de pessoal. Desta vez recebi uma noticia sobre um curso sobre a Qualidade da Matéria-Prima, neste caso a cana-de-açúcar. Abaixo as informações que recebi.

“A consultoria Fermentec, especializada em fermentação alcoólica,promoverá, nos dias 24 e 25, em Piracicaba (SP), o curso Indicadores da Qualidade da Matéria-Prima. De acordo com os organizadores, o objetivo do curso é demonstrar que um bom resultado na usina se inicia com o monitoramento da cana-de-açúcar a ser processada. Tel. (0–19) 2105-6100 ou por e-mail cursos@fermentec.com.br.”

Acredito que é muito importante para todos os produtores zelarem pela qualidade de seu processo. Eu não perderia.

Cachaça Poesia

terça-feira, 02/09/2008

Outro dia estava fazendo a manutenção do site e notei um banner no espaço destinado a publicidade, o da Cachaça Poesia. Sei que é pândego, mas não conhecia esta cachaça. A propaganda vem pelo Google e não tenho nenhum controle sobre seu conteúdo, inclusive apararecem alguns banner que se pudesse, eu vetava.

Voltando ao tópico etílico-literário, quando ví o banner resolvi pedir maiores informações para o produtor. Cliquei e fui direcionado ao site da cachaça, bem feito, por sinal. Pedi maiores informações e o produtor, Anselmo, prontamente respondeu e dias depois estava recebendo em casa uma amostra da Cachaça Poesia.

Pelo que eu já havia visto e pela atenção e cuidado que o produtor demonstrou, devo confessar que criei uma certa expectativa por esse produto. Quando ví a garrafa, modelo paraiba, bojuda, transparente, rótulo bonito, bem impresso e com alguns detalhes que fazem a diferença – a fita em cetim simulando um marcador no centro do rótulo que simula um livro aberto.

A cachaça é transparente, límpida e brilhante. Possui um aroma fresco de cana recém cortada, ou seja, puríssimo. No fundo nota-se que é um pouco frutado, assim como seu sabor, que consegue manter o leve doce da cana. A aguradente é equilibrada, suave, com pouca ou quase nenhuma acidez, talvêz resultado do tempo que descansa em madeiras neutras.

Outro ponto que me chamou a atenção no site da cachaça foram suas intalações com construções separadas para cada etapa da produção. O que assegura que não há nenhuma contaminação que possa comprometer a qualidade da bebida. Coisa que notamos na boca, na garganta e no estômago. E no dia seguinte também. :-)

O alambique, na Fazenda Santa Fé de Bogotá, fica na cidade de Munhoz, extremo sul de Minas Gerais e no topo da Serra da Mantiqueira. Local com inúmeras cacheiras, rios e fontes de água pura e cristalina. Região propícia à prática de esportes de aventura (rafting, canyoning, rapel, boia-cross etc, até voo-livre). Nada melhor que acalmar a adrenalina de um dia de esportes radicais que um trago de uma boa aguardente. Alguém se habilita?